quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Professores da USP dão dicas para publicar em periódico importante

Quais são os passos que trabalhos científicos costumam seguir antes de serem publicados em periódicos de grande destaque e o que os tornam tão relevantes para o meio acadêmico? Essas e outras questões foram debatidas durante o evento Periódicos de Alto Impacto: Experiências Politécnicas, na Escola Politécnica (Poli) da USP, com a participação de professores referências no assunto: Reinaldo Giudici, do Departamento de Engenharia Química (PQI), e Vanderley John, do Departamento de Engenharia Civil (PCC).
Tendo como objetivo melhorar a qualidade, o encontro procurou discutir estratégias a serem aplicadas na redação de artigos que resultem em publicações de alto impacto. Confira agora algumas das dicas compartilhadas pelos professores da Poli, pesquisadores experientes em seus campos de estudo:

1 – Redija e publique também em inglês

As publicações de alto impacto geram o reconhecimento necessário para atrair os investimentos de empresas, instituições de ensino e órgãos de fomento à pesquisa, principalmente se forem internacionais. “Os artigos redigidos e publicados em inglês possuem maiores chances de serem citados”, afirma John.

2 – Pense onde quer publicar desde o início

A publicação do artigo deve começar a ser pensada logo na concepção do projeto de pesquisa e não como uma etapa separada, após o término da tese ou da dissertação. Isso se deve ao fato de que os periódicos levam em conta a originalidade do paper na hora de decidir por sua publicação. “Isso é importante para não repetir assuntos que já foram publicados no journal”, destaca Giudici, que desde 2008 é editor-chefe do Brazilian Journal of Chemical Engineering.

3 – Revise atentamente a bibliografia

“A contribuição e a relevância que esse trabalho terá para o meio científico, e se ele preencherá alguma das lacunas existentes da literatura atual são coisas a serem pensadas”, explica Giudici. Revisar a fundo e com cuidado toda a bibliografia existente sobre o tema antes de qualquer outra etapa é o conselho do professor John.

4 – O critério de escolha do periódico não se resume à relevância

Ao escolher o periódico para submeter um artigo, não é somente a relevância que esse journal têm para o meio acadêmico que deve ser ponderada, apesar de ser um fator muito importante. “Os periódicos mais citados são conhecidos, geralmente, por seus rígidos e éticos critérios de seleção e devemos ter isso em mente ao escolhermos para quem enviar o trabalho”, defende Giudici. Contudo, revistas que sejam especializadas na área estudada costumam ter seu público-alvo bem definido, o que aumenta as chances do artigo receber citações posteriores.
Além disso, é preciso tentar evitar ao máximo o que o pesquisador definiu como “periódico predatório”. “Aquele journal, preocupado somente em ganhar dinheiro com a publicação, vai aprovar o artigo de qualquer forma. Isso não acrescentará em nada ao trabalho”, concluiu.

5 – Conheça as normas e formalidades

Giudici colocou que o primeiro passo ideal é conhecer as normas e formalidades do periódico, além de adaptar o texto de acordo com elas. “A forma definitivamente não melhorará o conteúdo, mas se ela não estiver adequada pode servir como critério de eliminação de um conteúdo muito bom.”

6 – Revise com cuidado e seja simples e direto na redação

John destacou ainda a importância de uma boa revisão. “Uma publicação científica necessita de uma ótima redação. Costumamos, no Brasil, escrever resumos e introduções extremamente extensas e muitas vezes desnecessárias.” O embasamento adequado em uma literatura relevante, a apresentação do objetivo do trabalho no contexto científico e a simplicidade e síntese na escrita ajudariam, segundo ele, a melhorar o artigo.

7 – Saia do óbvio ao redigir a cover letter

Outro ponto em que se deve prestar muita atenção é na chamada cover letter, ou carta de encaminhamento. Ela consiste em um texto de apresentação do artigo a ser enviado ao editor com o trabalho. Para Giudici, o segredo é sair do óbvio. “Essa carta, de certo modo, tem que convencer o editor de que aquele artigo é digno de ser avaliado.” Por isso, o texto deve enfatizar a relevância e a contribuição inédita do trabalho.

8 – Quantidade ou qualidade?

Uma prática muito criticada pelos dois professores foi a chamada salami science: quando uma tese ou dissertação é dividida em vários artigos a fim de gerar uma quantidade maior de publicações. De acordo com ambos, isso não é bem-visto entre os editores das revistas científicas.
Publicar resultados é obrigação do pesquisador para com a comunidade – segundo destacou o professor Giudici, a atividade científica é, antes de tudo, coletiva. Por isso, o pesquisador possui o dever de divulgar os resultados de seu trabalho com os colegas da profissão. O professor John reforça o argumento do colega docente. “A pesquisa é um trabalho cumulativo, qualquer coisa que estudemos vai se tornar parte de um processo que começou há pelo menos 250 anos”, explica. Contribuir para a formação do conhecimento de mundo deve ser, consequentemente, parte do objetivo de quem faz ciência.
Segundo os palestrantes, a quantidade de citações que um paper ou um periódico tem é fundamental para determinar o fator impacto dos mesmos sobre a comunidade acadêmica. Com relação a um journal, essa variável é medida pela quantidade de citações que ele recebeu durante dois anos, dividida pelo número de artigos publicados por esse periódico no mesmo período.
Para artigos científicos, a lógica é parecida: seu impacto é medido pela divisão do número de citações que a publicação recebeu pela quantidade de publicações que o autor já fez. Ou seja, o número de citações acaba sendo mais impactante que o número de publicações.

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